domingo, novembro 27, 2011

Mondego (2011)

Mais um exemplo do novo mundo criativo, em que o que conta é o talento e não a tecnologia disponível. Mondego (2011) é um documentário de estudante com qualidade profissional.


Criado por Daniel Pinheiro como projeto de fim de curso para o mestrado em Wildlife Documentary Production pela Universidade de Salford, UK, o filme dá-nos conta, em apenas 15 minutos, de parte da vida selvagem que povoa as margens do Mondego, da sua nascente até à foz.


Diga-se que sustentar 15 minutos em audiovisual não é propriamente uma tarefa fácil nem ao alcance de todos. Mondego aguenta perfeitamente essa duração porque tem muito para oferecer ao seu espetador. Desde pequenas narrativas sobre o modo como se alimentam algumas aves, ao modo como a natureza evoluiu e dotou algumas espécies de facilidades para lidar com a dura natureza.


Depois toda a componente visual é muito rica. Daniel Pinheiro diz no seu CV que para além das competências tecnológicas e de audiovisual possui ainda competências no domínio do "animal behaviour" e de "tracking wildlife" e isso salta a vista neste filme. A paciência que terá sido necessária para conseguir algumas destas imagens. Persistência e saber que enriquecem o filme e permitem ao espetador aceder a algo que poucas vezes teve oportunidade de presenciar.


Finalmente o facto de ter escolhido o Mondego como tema, foi uma excelente ideia. Para nós portugueses tem particular relevância, porque se trata do maior rio nacional. Mas mais do que isso, o tema do rio, permitiu de um modo natural criar um arco narrativo para o seu documentário, que começa na nascente na Serra Da Estrela, e termina na foz na Figueira da Foz.





Atualização 27.11.2011 22:55 Chegou-me agora uma excelente entrevista do Daniel Pinheiro realizada pela ESEC TV a televisão da Escola Superior aonde o Daniel realizou a sua licenciatura em Coimbra. Nesta entrevista confirma algumas das coisas que digo acima, e dá-nos mais detalhes sobre os propósitos, as fases, e os problemas da construção do filme. Vale a pena ver.
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