sábado, novembro 12, 2011

Rosa (2011), um hino ao talento criativo

Rosa (2011) foi ontem, 11.11.11, lançado online pelo próprio autor, depois de ter estreado em Maio deste ano no Seattle International Film Festival e ter sido selecionado oficialmente para os festivais Screamfest, Toronto After Dark, Anima Mundi, Los Angeles Shorts Film Festival, tendo sido ainda escolhido para abertura oficial do Sitges International Film Festival neste Outubro de 2011. O filme entretanto gerou tanto buzz internacional que o realizador foi já abordado por alguns estúdios americanos para que se realize uma longa-metragem a partir da curta.


A primeira grande contestação a realizar é que Rosa foi feito integralmente por apenas uma pessoa, o espanhol de 30 anos, Jesús Orellana, com um orçamento de zero euros. Estamos a falar de uma curta de 10 minutos em animação 3d com níveis de produção que estão ao nível de um qualquer estúdio de Hollywood ou do Japão. Orellana terá trabalhado durante um ano inteiro na criação do filme. Apesar de nos revelar que não é um grande aficionado de animação, o seu talento e trabalho de partida, a banda desenhada para a Les Humanoides Associés, está aqui em total evidência.


Rosa apresenta uma narrativa de FC colada a Ghost in the Shell (1995) de Mamoru Oshii, mas num universo próprio criado por Orellana. Impressiona sentir toda a atmosfera criada, as texturas, a iluminação, os ambientes. Sente-se o grafismo sujo, dar vida a um mundo distópico, mas quente. Ao contrário de Ghost não estamos num universo azulado frio, mas alaranjado bastante quente, como que adocicado. Sentimos o calor dos personagens apesar de perceber-mos que possuem pouco de humano.


O filme é tão perfeito que parece quase um crime falar dos problemas. Antes disso dizer que ter um objeto destes integralmente criado apenas por um ser humano, é deveras espantoso. Quando o filme termina e vemos apenas 1 nome surgir nos créditos é quase inacreditável. Estamos a falar de muitas funções necessárias para criar um filme destes, das quais o guião, personagens, texturas, modelação, animação, ambientes, iluminação, música, cinematografia, montagem, efeitos visuais, efeitos sonoros são algumas das mais evidentes. Nesse sentido diria que de todas as que sinto que precisariam de algum trabalho extra são a animação dos personagens e a montagem, ainda assim estou a falar de pequenos ajustes para ficar perfeito. Mas vejam o filme, experienciem e sintam-se inspirados para os vossos projetos.
En un futuro cercano, la humanidad ha desaparecido, dejando tras de sí un enorme megalópolis carente de vida natural. De la destrucción despierta ROSA, un robot parta del proyecto KERNEL, el último intento de la humanidad de restaurar el ecosistema terrestre recuperando las plantas extinguidas desde largo tiempo atrás. Vagabundeando por las ruinas de la ciudad muerta, Rosa pronto descubrirá que no es la única parte del KERNEL que ha despertado.





ROSA
Autor: Jesús Orellana
Ano: 2011
País: Espanha
Duração: 9min 50sec
Aspect Ratio: 2:35 (Scope)
Digital 2K. Dolby Stereo
385 shots (ASL: 1'6 seconds)


Atualização 22:05, 20.11.2011
O site Short of the Week realizou uma pequena entrevista com o autor, Jesús Orellana, que vale a pena ler. Ficámos a saber que o 3d foi feito com recurso ao Blender e ao Daz Studio. Mas o que continua a impressionar-me é Orellana ter feito um filme deste calibre integralmente sozinho, e sem qualquer experiência em animação ou 3d.
When I first started I had absolutely no idea about animation or video editing, so as a graphic-novel artist, the plan was to make a smaller 2D short film with drawings and very limited animation. Then I started experimenting with some 3D software I used previously for reference in my drawings. I did some rough animations and was very happy with the results. The rest was a lot of tutorials, time, and hard work. I worked on the short full-time, all day, all year. The first six months were mainly a trial and error process.
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