abril 25, 2020

Problemas do Estoicismo, de Seneca a Epictetus

Passei os últimos meses à volta de vários livros de Seneca (4 a.C. — 65 d.C) — “De brevitate vitae” e “Epistulae morales ad Lucilium” — e Epictetus (55—135) — "Enchiridon” e “Discursos”. A razão pelo que fiz este investimento tem que ver com um certo encantamento pelo Estoicismo que me perseguia há décadas e que acabaria por aumentar ainda mais com a leitura de “Meditações” de Marcus Aurelius (121—180). Contudo, ao chegar a este ponto, pós-leitura dos textos originais, dos dizeres de cada um, tenho de dizer que o encantamento se desfez. Nem Seneca nem Epictetus me convenceram, antes pelo contrário ditaram o fim da minha procura. Apesar de tal, continuo a reconhecer qualidades em ambos, mas separo-os de Marcus Aurelius, e espero conseguir explicar porquê ao longo das próximas linhas.

Epictetus e Seneca


Mais Religião do que Filosofia
O estoicismo tem sido, do meu ponto de vista, definido erradamente como corrente filosófica. Na verdade, o estoicismo é mais uma religião, e é aqui que reside o seu principal problema. Porque, de uma forma simples, o estoicismo nunca esteve preocupado em estudar e compreender a realidade, a existência, ou sequer as morais. O estoicismo, objetivou muito mais à determinação do que era certo e do que era errado. O pensar sobre ou a reflexão aprofundada sobre causas e motivações pressupõe uma evolução contínua das dinâmicas que sustentam a realidade que não se coaduna com a determinação de certos e errados, de deveres e direitos. Isto faz sentido no âmbito de uma religião, sem qualquer carga pejorativa, já que ela serve na determinação de caminhos de pertença a grupos: “é certo isto, é errado aquilo, és igual a nós porque aceitas o certo e condenas o errado” se “acreditares no mesmo que nós, serás verdadeiramente feliz”, de outro modo “a infelicidade irá perseguir-te para todo o sempre”.

Repare-se como Seneca não está preocupado em discutir o que cria a sensação de passagem de tempo, ou porque sentimos que o tempo passa rápido ou lento, ele tem apenas certezas, e é isso que oferece a quem o quiser ouvir:
“Não é que tenhamos um curto espaço de tempo, mas que desperdiçamos muito dele. A vida é longa o suficiente e foi dada em medida suficientemente generosa para permitir a realização das maiores coisas, se a totalidade dela for bem investida.” In “Da Brevidade da Vida”
Todo o seu discurso assenta na ideia de estar na posse da verdade e de a poder demonstrar, mesmo quando aquilo que diz vai contra aquilo que fazia. Seneca foi um dos principais conselheiros das artimanhas políticas do Imperador Nero e também um dos homens mais ricos de Roma, repare-se nalgumas das frases do “Epistulae morales ad Lucilium”:
“De longe mais importante será viver como se estivéssemos sempre perante o olhar de algum homem de bem; eu já me darei por satisfeito se tu agires sempre como se estivesse a ser observado, uma vez que a solidão é conselheira de todos os vícios.” LIVRO 3, CARTA 25
“Faz o que te digo, pede conselho à filosofia, e ela te convencerá a não te importares com as contas! É esse então o teu problema, é por isso que adias a tua formação:  para não teres de recear a pobreza! E não será a pobreza desejável?” LIVRO 2, CARTA 17
Muitos de nós procuram na religião respostas, pressionados por um desespero criado pela ausência dessas. O melhor exemplo do verdadeiro filósofo foi e continua a ser Sócrates, conhecido pelo homem que fazia perguntas para as quais não tinha respostas. O mundo e nós, continua tudo a ser uma incógnita: de onde viemos e porque estamos aqui? O problema são os nossos receios e fantasmas internos, por sua vez alimentados pela nossa intrínseca necessidade de viver em comunidade. Não podemos viver sozinhos, precisamos dos outros, por isso é mais fácil encaixar no pensamento de um grupo e prosseguir. Porque o pensamento precisa de um corpo biológico para estar vivo, sem corpo não existe pensamento, logo o corpo e as suas necessidades sobrepõem-se inevitavelmente aos desejos existenciais. Assim torna-se preferível atirar para o fundo do nosso interior existencial a voz que clama por repostas, tapando a dúvida com verdades redondas e aceites por todos, concluindo que “viver na ignorância é uma bênção”.

Seneca e Epictetus não pretenderam oferecer respostas à razão por que estamos aqui, nesse sentido nunca quiseram tornar-se gurus religiosos. Ambos reconheceram a complexidade da realidade, e a nossa incapacidade para alcançar a compreensão do todo. Existem alguns princípios enunciados por ambos que servem de guia ao resto do seu trabalho, mas de uma forma geral, ambos se focaram muito mais na moral e comportamento. E se isto nos obriga a reconhecer que de algum modo foram mais do que simples religiosos, quando analisados em detalhe, parecem-nos ainda menos, talvez não menos, mas igualmente pouco relevantes.

Tenho de confessar que o meu primeiro choque com a possibilidade do Estoicismo na ser nada daquilo que eu entendia ser, me chegou tarde e apenas por via da leitura de “A History of Western Philosophy” de Bertrand, não tanto pela forma como ele destrói por completo a Ética de Aristóteles, mas primeiramente pela forma como ignora totalmente Seneca. Bertrand na pequena sumula dedicada ao estoicismo fala quase apenas dos pensadores gregos, dedicando pouco à vertente romana, e nessa falando quase exclusivamente das perspetivas de Epictetus e Marcus Aurelius. A principal razão prende-se com o facto de os romanos em nada terem avançado a filosofia proposta, e terem apenas se dedicado à discussão da moral, ainda que sustentados na base filosófica grega. Vejamos então essa base.

Fatalismo, a base da Contradição Estoica
O principal ataque às ideias dos estoicos surge normalmente por causa do determinismo. Os seus primeiros proponentes, os gregos Zenão (333 — 263 a.C.) e Crísipo (280 —208 a.C.), enredaram-se num conjunto de ideias que numa primeira linha parecem imensamente atrativas mas quando escrutinadas desembocam em paradoxos.

Zenão, o impulsionador da doutrina, defendeu a felicidade humana com base no abandono da emoção — emergente das paixões e posses —, contudo para garantir esse abandono era preciso uma recompensa lógica, para o que se agarrou a ideia de que tudo é comandado pelo destino, nada do que façamos alterará o percurso das coisas. Quando se acredita na ausência de esperança, na ausência de possibilidade de se atuar sobre as condicionantes, não é apenas a resignação que se instala, com esta emerge algo poderoso, a perda do medo, que acaba por oferecer uma força tremenda para continuar a sonhar interiormente.

A base teórica é típica de um helenismo ligado ainda ao misticismo, oferecendo a perspetiva de um mundo feito de elementos — fogo, ar, água, terra — que tudo condicionavam em ciclos. Assim tudo vinha do fogo e tudo voltava ao fogo. O mundo que vivemos é um ciclo eterno, de construção e destruição, não adianta lutar contra isso. De algum modo isto liga-se aos ciclos da vida do Budismo e às suas noções do carma. Mas podemos ligar aqui o próprio cristianismo, apesar de não se apresentar como ciclo, porque recorre à perspetiva narrativa — uma história com princípio, meio e fim — com o paraíso onde tudo termina! O budismo e o estoicismo só em aparência diferem, já que o ciclo continuado é mera fuga à questão do: “e depois do paraíso?”

Crísipo, sucessor de Zenão, foi mais longe. Sendo, de todos os personagens do Estoicismo, aquele que mais se preocupou em criar pensamento estruturado e capaz de ligar todas as esferas da realidade numa corrente filosófica, acabaria sendo o que mais longe levaria a questão do determinismo, exatamente pela necessidade de sustentar a argumentação. Assim para Crísipo, segundo Cícero:
“Se houver algum movimento sem uma causa, nem toda proposição será verdadeira ou falsa. Pois aquilo que não tem causas eficientes não é verdadeiro nem falso. Mas toda a proposição é verdadeira ou falsa. Portanto, não há movimento sem uma causa. E se é assim, todos os efeitos devem a sua existência a causas anteriores. E se é assim, todas as coisas acontecem pelo destino. Segue-se, portanto, que o que quer que aconteça, acontece pelo destino.” In “Tratado do Destino” (44 a.C.)
Se tiverem curiosidade em aprofundar esta ideia, recomendo vivamente a série de televisão “DEVS” (2020) de Alex Garland que usa exatamente este princípio para estruturar toda a epistemologia de suporte ao universo da série.
Mais tarde Epictetus proporia uma variação deste determinismo no seu Manual do Estoicismo (Enchiridion), dividindo o mundo em duas metades, logo na primeira regra:
“Todas as coisas existentes se dividem da seguinte forma: as que estão sob o nosso poder, e as que não estão.
Em nosso poder estão o pensamento, o impulso, a vontade de adquirir e a vontade de evitar e, resumidamente, tudo que resulta das nossas ações.
As coisas que não estão sob nosso poder incluem o corpo, a propriedade, a reputação, o cargo e, resumidamente, tudo aquilo que não resulta das nossas ações.
As coisas sob nosso poder são, por natureza, livres, não encontram obstáculos à sua frente, não são por nada limitadas; já as coisas que não estão sob nosso poder são fracas, servis, sujeitas a limitações, dependentes de outros fatores.”
In Enchiridion (135)
E aqui as coisas tornam-se mais complicadas, já que se coloca em convívio aparente, o determinismo e o livre-arbítrio, ou seja a essência do paradoxo do Estoicismo, como diz Bertrand Russell:
“Por um lado, o universo é um todo rigidamente determinístico, no qual tudo o que acontece é resultado de causas anteriores. Por outro lado, a vontade individual é completamente autónoma e nenhum homem pode ser forçado a pecar por causas externas.” In “A History of Western Philosophy” (1945)
No entanto, é aqui mesmo que que reside muito do interesse atual no Estoicismo, nesta conexão entre a inevitabilidade e a liberdade interior, já que a ausência de esperança no exterior, induz à perda de medo interior, e desse modo aumenta tremendamente a resiliência. Isto é tanto mais relevante quanto mais dura for a realidade vivida. Podemos ver isto mesmo em ação na terapia psicológica — Logoterapia — proposta por Viktor Frankl para lidar com o horror da vivência no campo de concentração de Auschwitz, que propõe:
“em que mesmo tudo nos sendo retirado, continuamos a ter a última liberdade humana: a escolha da atitude em cada momento.” Em Busca de Sentido (1946)
Para este efeito, Frankl usa a divisão de proposta por Epictetus, entre o exterior e o interior. Em que podemos estar condenados por esse exterior, mas só nós podemos decidir sobre o interior. Assim, Frankl acaba a demonstrar que o paradoxo aparente do Estoicismo faz sentido em termos psicológicos, já que a ausência de medo faz nascer uma nova esperança:
“O prisioneiro que perdeu a fé no futuro — o seu futuro — estava condenado. Com a sua perda de crença no futuro, perdia também o seu domínio espiritual; deixava-se declinar e ficava sujeito à decadência mental e física.” in "Em Busca de Sentido" (1946)
Ou seja, e para terminar esta parte, nem tudo é menosprezável, e não é por acaso que o estoicismo serviria na definição do cristianismo, e o próprio cristianismo acabaria a durar séculos. Na verdade, em face da adversidade, estas abordagens ajudam, consolam, mantém-nos despertos para a possibilidade de algo melhor. O problema é que estas abordagens requerem a manutenção dessa adversidade, e se a vida é feita de adversidades, ela pode ser mais do que isso, por isso não se estranhe todo o caráter opressivo que a Igreja Católica soube tão bem imprimir no universo — desde o salvador torturado e preso numa cruz à imponência da sua arquitetura e claro, talvez o mais importante de tudo, a definição detalhada do Inferno e Purgatório — pois sem isso a teorização que a suporta não teria qualquer adesão.


A Psicologia da Ética e Modelos
Já acima falei do problema de Seneca, do “olha para o que eu digo, não para o que eu faço”, algo que não se aplica a Epictetus, este que nasceu como escravo, e teve de fugir de Roma por ordem do Imperador Domiciano que proscreveu todos os filósofos por volta de 93 d.C. Contudo, ambos se apresentam como portadores de verdade, e a questão nem sequer é saber se dizem ou não a verdade, a questão é saber se importa.

Vejamos aquilo que nos diz a psicologia sobre o modo como aprendemos a lidar com o mundo. A principal base da nossa ação constrói-se pela imitação. Tendemos a imitar os comportamentos daqueles que reconhecemos como gratificantes. Ou seja, se vir alguém roubar e viver uma boa vida sem nunca ser punido, enquanto ser humano tenderei a seguir esse caminho. Por outro lado, se vir que esse comportamento é efémero, que tarde ou cedo se é apanhado e punido, compreendo que é um comportamento que não devo seguir. O mesmo acontece quando vejo alguém que estuda e faz uma licenciatura, e depois tem um bom emprego, versus quem desiste de estudar e é depois fracamente recompensado.

Isto difere da venda de ideias sobre o que é certo ou errado, já que o certo e errado surge apenas pela avaliação das consequências, não da autoridade de quem fala. Que importa que os pais ou os governos digam que é importante estudar e fazer uma licenciatura, se depois as pessoas conseguem empregos piores, ou nem sequer emprego conseguem? Ou de que serve o pai dizer para não roubar ou não bater, e depois bater na mãe?

É por isso que é estranha a ideia dos gurus de auto-ajuda, dos pregadores de qualquer tipo, que pregam ideias que não praticam. Repare-se no paradoxo de termos um guru que vive dos rendimentos dos livros que escreve e das conferências que faz, que lhe permitem viver numa bela casa, com um bom carro, acesso a médicos e férias em bons hotéis e que depois vem clamar junto de pessoas na miséria, sem empregos, ou empregos precários, pessoas sozinhas sem família, ou com famílias disfuncionais, como se devem comportar para serem felizes. De que servem essas indicações? Essas pessoas e famílias precisam de saber como se comportar para serem felizes ou precisam de oportunidades para conseguirem sair da situação em que estão? Essas pessoas não precisam que lhes digam que a felicidade está dentro delas, precisam antes que lhes mostrem como sair da situação, que lhes proporcionem oportunidades para o efeito, e não serem usadas como coitadinhos a quem o guru explica o que é o mundo.

No entanto os gurus sobrevivem, porque produzem um discurso retórico que une os membros de uma comunidade e os faz sentir que estão todos no mesmo barco, ainda que cada um tenha de se desenrascar como puder. Reparem como as seitas e religiões emergem, não é graças ao pregador, elas vão buscar pessoas à comunidade que oferecem como exemplos de cura ou de ultrapassagem de problemas. Porque efetivamente, as pessoas não se deixam convencer por simples pregadores, sejam eles quem forem, as pessoas são convencidas pelo grupo que segue o pregador, “se os outros fazem?”, “se os outros continuam a ir atrás?”, “devem ter visto algo que eu ainda não vi”, “sabem algo que ainda não sei”, ou ainda, “não me interessa nada disto, não acredito, mas se sair deixarão de me falar, fico sozinho”. Isto não é uma questão de professor-aluno, o pregador não está a ensinar as suas audiências a tornarem-se pregadores. O que ele supostamente ensina, ou a razão por que as pessoas o vão ouvir, é porque ele detém, segundo a comunidade, um segredo, uma formula para a felicidade.

Na verdade, questões éticas e morais, não podem ser ensinadas por decreto, precisamos de as praticar e exemplificar, e sendo algo prático, mudam no tempo. Os decretos tendem a manter-se em registo para todo o sempre, as práticas e comportamentos evoluem, variam em função das condições de cada local e cada momento. Aquilo que era certo ou errado no tempo de Seneca é distinto do que é certo ou errado hoje, basta pensar na condição dos escravos ou da mulher nesses tempos.


Para finalizar, quero voltar a Marcus Aurelius, e a "Meditações", que é um livro diferente dos textos de Seneca ou de Epictetus. O livro de Aurelius foi escrito como registo diário íntimo, representa o seu pensamento em ebulição e evolução. Aurelius debateu-se com as teorias do estoicismo, defende-as porque quer acreditar nelas, mas debate-se com elas exatamente pela posição que ocupava tanto como general, como político e claro Imperador. Marcus Aurelius não pregou para que seguissem o que ele pensava, os seus escritos foram o escape que encontrou para lidar com aquilo que sabia estar errado em muito do que sentia. A escrita era a forma de lidar com a realidade bastante mais complexa do que a teoria. O seu papel enquanto modelo de moral servirá na medida daquilo que fez enquanto imperador, não daquilo que escreveu.



Nota: Não sou formado em filosofia. Estas notas dizem apenas respeito às leituras que fui fazendo e ao modo como as interpreto face ao restante conhecimento que detenho em distintos campos do saber. Deste modo assumo desconhecer grande parte da discussão filosófica em redor do Estoicismo. As ideias apresentadas dizem respeito a uma leitura de obras muito restrita.

4 comentários:

  1. Bom dia Nelson e obrigado pelo excelente texto crítico.
    Se há coisas que tenho como certas na vida, é a incerteza, a dúvida. Em tudo o que digo, assumo que possa haver melhor opinião. Seria pois incapaz de fundar uma religião. Não sei donde me advém esta característica, já a considerei uma falha de carácter, com origem em genes hereditários (todos somos condicionados por eles), ou na recepção que em mim teve o estudo de Descartes em particular e de toda a filosofia em geral. Aprender filosofia e gostar de filosofia implica ter o espírito aberto, ter uma "open mind" a todas as correntes filosóficas, a todas as formas de pensamento. Tendo sido educado em Portugal, e portanto geograficamente influenciado pela doutrina cristã, desde jovem procurei saber de outras vias para o "altíssimo" tendo encontrado algum refúgio e ressonância no pensamento budista, centralizado no próprio homem. Com o passar dos anos posso dizer que me aproximei mais dos agnósticos, mas com um profundo respeito por todos os credos e confissões.
    Como dizia Montaigne, a inconstância do homem deve-se à sua natureza e faz com que nada dele seja sólido. Assim como o comportamento muda dependendo das circunstâncias, também mudam as suas opiniões e costumes.
    “Flutuamos entre diversas opiniões: nada queremos livremente, nada absolutamente, nada constantemente.”
    Assim sou eu.
    Um abraço

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  2. Não me diferencio muito do Joaquim, tanto que durante muito tempo segui também as abordagens budistas. Existe um livro que ainda hoje prezo bastante, "O Livro Tibetano da Vida e da Morte", mas que acabei por deixar para trás há bastante tempo, tal como aconteceu agora com o estoicismo.

    Não sei se é uma questão inconstância, se é apenas uma questão progressiva, causada pela busca de conhecimento, que nos vai obrigando a rever o modo como compreendemos o mundo, e a nós mesmos.

    abraço

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