domingo, setembro 16, 2007

emoção da voz

A voz humana é constituída por dois elementos distintos, o conteúdo semântico (o que é dito) e a prosódia afectiva (como é dito). Ou seja é possivel dizer exactamente a mesma frase com prosódias distintas que permitem facilmente ao receptor perceber o estado emocional ou o valor significante que deve ser atribuído à interpretação do texto.

Neste sentido a Psychology Today fala-nos dos resultados dos estudos realizados por Sandra Trehub da Universidade de Toronto sobre a relação vocal entre progenitores e filhos. Referido como um descoberta, os resultados não surpreendem.
Sandra Trehub, Ph.D., of the University of Toronto, recorded mothers and fathers singing to their babies and to an empty room. Though the parents were told to make the second rendition as similar to the first as possible, others listening to the tapes could easily distinguish the two. "The parents tried to duplicate their performance to their infants, and they weren't able to do it," Trehub says. It seems that most parents, especially mothers, have a special "lullaby voice" that they use in singing to their babies: high in pitch and slow in speed. The voice is partly a product of the emotion parents feel for their child—emotion that provokes involuntary changes in facial expression and body posture, which in turn affect the sound of the song. To evoke such a response, the baby must actually be present: "The expressiveness of this voice can't be faked," says Trehub.
Digo que não surpreendem, porque tal como Trehub refere aqui e esta conclusão é suportada por variadíssimos outros investigadores da emoção desde Paul Ekman a Antonio Damasio, a emoção não é passível de simulação. Por isso as expressões faciais podem ser tão úteis na descoberta da verdade, porque as emoções funcionam como os espirros, segundo Damásio, não podemos criar um espirro assim como não podemos sustê-lo internamente. Assim cantar com uma determinada expressividade requer que a emoção esteja lá, e o problema é que não está. Talvez se no estudo tivessem pedido aos pais, para em vez de simular, pensar no filho profundamente e cantar sonhando com ele, talvez o timbre se aproximasse um pouco mais.

Não quero dizer que a descoberta é inócua, porque ela vem também reforçar a questão do vinculo progenitor-cria e colocar a nú os fortes laços emocionais que nos ligam e que permitem que as espécies mamíferas subsistam e sobrevivam num mundo às vezes inóspito.
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