sábado, dezembro 31, 2011

Melhor 2011: Análise e Top dos Jogos Indie

2011 foi o ano da consagração total dos jogos indie, nunca foram produzidos tantos jogos, nem tanta coisa foi escrita sobre os jogos independentes. O Independent Games Festival 2011 recebeu 567 videojogos, para entrar em competição, mais 45% do que no ano anterior. Posso dizer que em termos de hábitos de jogo, aqui também não foi diferente, jogou-se particularmente muitos jogos flash, downloadable, browser, e facebook. Foram muito poucos os jogos de caixa e dos grandes estúdios comprados e jogados este ano por mim. Claro que como poderão reparar estão ausentes da minha lista os jogos mobile (iOS e Android), não por não acreditar no seu valor, mas por não ter ainda plataforma para os testar e porque na verdade não jogo muitos jogos quando estou em trânsito, desse modo fica de fora uma grande parte do mercado indie atual. A lista aqui apresentada foi escolhida tendo por base os seguintes critérios: conceito (mensagem de fundo), gameplay (espaço, acções e regras), narrativa (progressão e recompensa), arte visual (coerência e técnica), música (sintonia com a obra e extensão). Como tal fiz uma lista dos 15 jogos de 2011 que mais me comoveram, e nos primeiros lugares ficaram também os melhores em cada critério.

1. Bastion, Amir Rao, Adventure/Action, USA, PC [Melhor Jogo]

2. Kingdom Rush, IronHide, Tower Defense, Uruguay, Flash [Melhor Gameplay]

3. Binding of Isaac, Edmund McMillen, Adventure, USA, Mac [Melhor Conceito]

4. The Tiny Bang Story, Colibri Games, Adventure, Russia, PC [Melhor Arte Visual]

5. Oíche Mhaith, T. Cavanagh & S. Lavelle, Adventure, UK, Flash [Melhor Narrativa]

6. Jamestown: Legend of the Lost Colony, Final Form Games, Space Shooter, USA, Mac  [Melhor Música]

7. Under Siege, Seed Studios, RTS, Portugal, PS3

8. Wonderputt, Damp Gnat, Puzzle, UK, Flash

9. Grey, Kevin McGrath, Platform, USA, Flash
10. ImmorTall, Evan Miller, Adventure, USA, Flash
11. Dusk, Stephen Whichello, Platform, Australia, Flash
12. Fat Wizard, Matt Thorson, Strategy/Action, Canada, Flash
13. A Mother in Festerwood, Austin Breed, Art Game, USA, Flash
14. Intruded, A Small Game, Adventure, Sweden, Flash
15. Minecraft, Markus Persson, Creative, Sweden, Java

A estes muitos outros se poderiam juntar, tais como Quit Smoking de Chris DeLeon; Cave Story + de Daisuke Amaya; English Country Tune de Stephen Lavelle (aka Increpare); Frantic Frigates do BerzerkStudio; NightSky de Nicklas Nygren; ou Ragdoll Canon 4 de Evgeniy Kuzmin. Para quem quiser ver a lista completa, aqui fica o link para as minhas notas dos jogos que vou jogando. Sobre Minecraft quero dizer que aparece aqui em 15º apenas como homenagem ao facto de ter saído este ano oficialmente. Porque o jogo já anda aí desde 2009.

Mas então o que são jogos indie? As definições são muitas, deixo-vos a forma como vejo este universo. São jogos feitos por pequenas equipas de 1 a 4 pessoas, podendo depois nos casos mais elaborados recorrer a várias pessoas de segunda linha para questões especificas ou picos de desenvolvimento, de qualquer modo são equipas que não passam os 15 elementos no total. Para além disso, e mais importante em termos de definição, é que são equipas que trabalham sozinhas sem o apoio de qualquer produtora ou distribuidora. Ou seja, a produção do jogo é realizada pelos próprios criadores, não existe uma encomenda, ou um produto a desenvolver. Uma equipa de pessoas junta-se e decide fazer um jogo, pega em todo o seu know-how e no seu tempo disponível e investe na criação desse jogo. Pode claro existir a entrada de dinheiro externo, como patrocínios ou concursos realizados pelos próprios. Isto claro que gera uma outra coisa fantástica que é a ausência de barreiras geográficas à criação e a consequente diversidade cultural. Ao longo deste ano joguei jogos de países como o a Austria, Bélgica, Brasil, Canada, Rep. Checa, Dinamarca, Hungria, Italia, Japão, Malasia, Mexico, Holanda, Noruega, Polónia, Portugal, Russia, Singapura, Eslovaquia, Suécia, Suíça, Uruguay ou Ucrania. É absolutamente fantástico ver toda esta diversidade, todo este interesse sem fronteiras.

Do que aqui descrevi, e dada a quantidade de jogos que apareceram criados um pouco por todo o mundo, percebe-se o receio das grandes produtoras e das consolas. Algumas declarações feitas neste ano são aberrantes como as do presidente da Nintendo America dizendo que "a empresa não estava interessada em fazer negócio com hobistas ou criadores de garagem"!!! Por outro lado a Microsoft não fez estas declarações, mas a forma como começou a tratar os criadores de jogos para a XBLA diz-nos que devem pensar exatamente como o presidente da Nintendo América. Se não veja-se o que tem a dizer a equipa 2D Boy da XBLA. Ou para ficarem ainda mais esclarecidos sobre a forma como a Microsoft trata os indies, leiam o excelente Postmortem de Super Meat Boy (2010). A verdade é que os criadores indie não precisam da Micosoft ou da Nintendo para nada. Veja-se o caso da indie Zeboyd Games, criadores de Breath Of Death VII (2010) e Cthulhu Saves The World (2010), vieram a público dizer que estes seus dois jogos tinham gerado mais lucro em apenas uma semana no Steam, do que em um ano e meio na XBLA! Aliás só vem reforçar o que diz Jonathan Blow, o criador de um dos mais importantes indies de sempre, Braid (2008), numa entrevista à EDGE, que os criadores nunca tiveram a vida tão facilitada como agora.


No meio de tudo isto falta ainda explicar a quem continua a ter dúvidas sobre os jogos indie, um detalhe que se chama marketing. Os jogos indie, como são produzidos pelos próprios criadores possuem recursos apenas e só para alimentar o desenvolvimento, não se podem dar ao luxo de criar todo um pacote de marketing que sustente e venda a obra no mundo. Só para terem uma ideia os jogos da grande indústria gastam 30% do total de todo o bolo em marketing. E isto não diz apenas respeito a publicidade, a cartazes e anúncios, mas a todo um trabalho de retaguarda de relações públicas, de "fazer falar" do jogo. Um dos casos mais gritantes do impacto de não se ter dinheiro para promover um jogo, está nos próprios festivais. Ainda recentemente Ste Pickford um game designer britânico que tem criado jogos desde os tempos do ZX Spectrum, veio falar sobre valores exorbitantes que um festival como o BAFTA exige apenas para inscrever o jogo e ser considerado.

Posto tudo isto, não restam dúvidas sobre o potencial dos videojogos, sobre as mudanças que se vão acentuar na indústria dos videojogos internacional em 2012. Fiquem com a lista dos jogos indie mais aguardados para 2012 do Michael Rose. E esperemos que em Portugal continue a aumentar o interesse das pessoas em criar, e com isso aumentem as equipas de criadores e claro o número de jogos nacionais criados.
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