terça-feira, dezembro 27, 2011

The End (2011), o significado do fim

O Channel 4 não deixa de nos surpreender com o seu constante investimento em Educação e Videojogos, desde a educação sobre o consumismo e os seus efeitos (Sweathsop, 2011) à educação sexual (Privates, 2010). Desta vez temos o videojogo, The End (2011), que trata questões do foro existencial, da condição humana e da sua relação com a vida.


Sou sincero, inicialmente fiquei um tanto desiludido porque com este tema esperava mais profundidade, só depois percebi que tinha sido desenhado especificamente para o público adolescente (13-19). Ou seja o objectivo era instigar e presentear com algumas orientações os jovens. Nesse sentido, fizeram um trabalho excelente, porque o jogo não é manipulativo, antes instigativo, abrindo-se às respostas e pensamentos de todos. O jogador percebe que não está a ser guiado, nem criticado, antes levado a reflectir sobre questões que o podem ou não atormentar, de um modo estruturado. Para suportar os diferentes posicionamentos cada pessoa é traçada segundo o perfil de uma personalidade relevante da sociedade, exemplos como Gandhi, Descartes ou Einstein.

It is when people reach this age that they start to engage in thinking about mortality and adulthood and part of that is thinking about death (..) Games are a great way to help get young people interested in things and The End is a perfect example of offering engaging tools to grasp quite complex philosophical ideas.”  Tom Chatfield

Em termos de artefacto é mais um excelente trabalho da Preloaded que nos deu neste mesmo ano o fabuloso Wondermind (2011) em conjunto com o Tate. O jogo apresenta uma mecânica interessante e original na base do uso da "luz & sombra" que funciona como chave na resolução de vários puzzles de plataforma. Para além disso faz uso de pequenos elementos sociais com base na ligação ao Facebook, chegando a permitir comparar o nosso posicionamento sobre as questões levantadas com as dos nossos amigos, o que pode ser muito interessante em termos de instigar à discussão entre os jovens. O jogo tem por base um espaço tripartido dividido entre o Corpo, a Mente e o Espirito, que à medida que vai progredindo vai guardando informação do jogador e vai traçando um perfil em termos de pensamento existencial do mesmo.



A Preloaded fez parceira com o Tom Chatfield, autor do interessantíssimo Fun Inc. (2010), e na ilustração trabalhou com o autor de comics Luke Pearson. Podem experimentar e apreciar desde já o jogo que está disponível na web gratuitamente.
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