domingo, junho 12, 2011

Livro: "O Clube de Cinema"

“Um pai, um filho, três filmes por semana”

É um livro poderoso e comovente, com um target definido por pais de filhos pré-adolescentes e adolescentes. Todos o deviam ler. São coisas que não nos ensinam na escola, são coisas que verdadeiramente não podem ser ensinadas.


Como educar um filho com 15 anos? O que fazer quando este claramente não se encaixa e não gosta da escola? Como comunicamos com essa pessoa? O que lhe podemos dizer? Como chegamos até ele? O livro de David Gilmour é autobiográfico e por isso está muito longe de poder funcionar como um manual de respostas. É antes uma memória, e o título original faz-lhe jus “The Film Club: A Memoir”. Como tal aparece-nos como um relato de vida, um relato sobre a cumplicidade criada durante três anos entre um pai, crítico de cinema, e um filho de 15 anos.


A comunicação entre o adulto e o adolescente acontece pela via do cinema. O pai vai permitir que o seu filho deixe de estudar aos 15 anos, no final do 9º ano, com uma condição apenas: que este veja consigo três filmes por semana.


Ler este livro pode bem funcionar com um sopro de energia na vida de muitos que se interrogam sobre o futuro dos seus filhos. Que sofrem com a incompreensão natural de ver crescer alguém a quem amam mais do que a própria vida. Mas também de muitos que se interrogam sobre o que estamos cá a fazer. Será que perder um ano na caminhada de estudante é assim tão mau? E se forem três?


Para podermos apreciar completamente o livro, ter conhecimento dos filmes que vão sendo descritos intensificará a experiência. Não os ter visto pode ter um lado bom, levar-nos a fazer uma pausa para ir ao vídeo-clube buscar o filme. Que mais se pode desejar de um romance? Um livro que nos ensina tanto sobre arte, e sobre a arte da vida.


O Clube de Cinema é um hino à vida, mas é também um hino à forma de arte do cinema, e uma autêntica demonstração das capacidades desta arte como media. Se dúvidas houvesse entre saber se o cinema é uma arte ou um media, aqui fica, sem margem para dúvidas, que é ambos, e que o é de corpo inteiro.


PS: Opto deliberadamente por não identificar os filmes nas imagens deste texto para que possam partir à descoberta. Todos são mencionados no livro.
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