sexta-feira, junho 17, 2011

"The Element" de Ken Robinson

Conheci o trabalho de Ken Robinson através da sua primeira Ted Talk, "Do schools kill creativity?" (2006) que deixou uma impressão profunda só superada pela talk depois ilustrada pela RSA "Changing Education Paradigms" (2010) que vai neste momento com cerca de 4,5 milhões de visualizações. Assistir a estas duas palestras e depois ler, The Element: How Finding Your Passion Changes Everything (2009), é do mais enriquecedor que podemos fazer enquanto tentativa de auto-compreensão.


Deste modo atrevo-me a dizer que The Element é um livro obrigatório para qualquer pessoa, com especial enfâse para os adolescentes que se interrogam sobre quem são, o que fazem aqui, o que devem escolher para o seu futuro. Mas deve ser um livro de cabeceira para todos os professores, os que lidam com estes adolescentes no dia-à-dia, e mesmo os que lidam com eles já na fase adulta (Universidade). E em último lugar, todos os pais, porque saber ajudar não é inato. The Element põe o dedo sobre a questão essencial do ser humano em sociedade, que é, "porque faço aquilo que faço?" Saber a resposta a isto é meio caminho andado para que a vida se possa tornar mais fácil, e simples.


Ken Robinson conta-nos muitas histórias de gente que atingiu o elemento e que à partida nada parecia evidenciar que a isso estariam destinadas, pessoas por vezes incompreendidas pela família, pela escola - Gillian Lynne, Albert Einstein, Matt Groening, Paul McCartney, Nadia Comaneci, Richard Feynman, Ridley Scott, Paulo Coelho, Vidal Sassoon, Richard Branson - mas também muitas pessoas que simplesmente tomaram determinadas decisões na vida e que com isso conseguiram alcançar o desejado elemento. São pessoas que,
"have identified the sweet spot for themselves. They have discovered their Element — the place where the things you love to do and the things that you are good at come together. The Element is a different way of defining our potential. It manifests itself differently in every person, but the components of the Element are universal."
Podemos pensar, pois mas estes são os poucos nascidos para o sucesso, Robinson diz-nos
"Being in our Element depends on finding our own distinctive talents and passions. Why haven’t most people found this? One of the most important reasons is that most people have a very limited conception of their own natural capacities."
O livro pretende dar uma ajuda nesta busca, mas claramente que não é um livro de auto-ajuda, com os passos ou receitas para chegar lá, no essencial Robinson não deixa de dizer,
"Being in your Element often means being connected with other people who share the same passions and have a common sense of commitment. In practice, this means actively seeking opportunities to explore your aptitude in different fields."

Para demonstrar que estar envolvido e engajado é algo sem idade, Robinson fala-nos de uma experiência desenvolvida nos EUA entre uma escola primária e um retiro de idosos. Não resisto a transcrever um grande bocado para aqui, porque foi um dos momentos no livro em que quase me vieram as lágrimas aos olhos. O programa recebeu o nome de Book Buddies e consistia em,
“pair a member of the retirement home with one of the children. The adults listen to the children read, and they read to them... The program has had some remarkable results.
One is that the majority of the children at the Grace Living Center are outperforming other children in the district on the state’s standardized reading tests...
As they sit with their book buddies, the kids have rich conversations with the adults about a wide variety of subjects, and especially about the elders’ memories of their childhoods growing up in Oklahoma. The children ask things about how big iPods were when the adults were growing up, and the adults explain that their lives really weren’t like the lives that kids have now. This leads to stories about how they lived and played seventy, eighty, or even ninety years ago. The children are getting a wonderfully textured social history of their home-towns from people who have seen the town evolve over the decades...
Something else has been going on at the Grace Living Center, though: medication levels there are plummeting. Many of the residents on the program have stopped or cut back on their drugs.
Why is this happening? Because the adult participants in the program have come back to life. Instead of whiling away their days waiting for the inevitable, they have a reason to get up in the morning and a renewed excitement about what the day might bring. Because they are reconnecting with their creative energies, they are literally living longer.
There’s something else the children learn. Every now and then, the teachers have to tell them that one of their book buddies won’t be coming any more; that this person has passed. So the children come to appreciate at a tender age that life has its rhythms and cycles, and that even the people they become close to are part of that cycle.
In a way, the Grace Living Center has restored an ancient, traditional relationship between the generations. The very young and the very old have always had an almost mystical connection.”
Robinson fala-nos muito da educação e do sistema educativo e refere que o futuro da educação não está na estandardização mas sim na personalização. A educação não pode ser vista como um processo ISO de atribuição de qualidade, mas tem antes de ser vista como um processo personalizado, em que cada ser tem um potencial único que precisa de ser descoberto.

Como nota final é importante colocar este livro ao lado de Outliers de Malcolm Gladwell, e perceber quão diferentes são os discursos. De um lado a defesa do trabalho duro e penoso, Gladwell usa os exemplos do trabalho duro nos campos de arroz da Ásia, algo ainda recentemente também defendido por uma professora de Yale num polémico livro lançado nos EUA. A educação rígida, sem espaço para brincar, jogar, ou simplesmente ser. Compare-se isto com o discurso de Ken Robinson, são dois opostos. As pessoas funcionam quando a paixão é tremenda, quando a dedicação é total, quando adoram, quando se apaixonam, quando aquilo que fazem é aquilo que querem fazer em todas as horas do seu dia.


Nota: o livro está já publicado em Portugal pela Porto Editora. 
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