quarta-feira, janeiro 19, 2011

Futuro da Comunicação Online

Saiu por estes dias o livro Web Trends - 10 Cases Made in Web 2.0 (2011) organizado pela Ana Sofia Gomes, da agência Comunicarte, sobre as tendências para o futuro da comunicação, em especial, da comunicação online. Para esse livro contribuí com uma pequena entrevista que foi utilizada na análise do campo dos jogos, redes sociais e mundos virtuais. Como tal trago-vos aqui o resultado dessa entrevista, e se puderem, e tiverem interesse pelo assunto, leiam o livro.


• De que forma se pode explicar uma adesão tão repentina e massificada aos jogos online, como o Farmville?

A explicação destes fenómenos é sempre feita na base dos movimentos de fluxos, as pessoas vão umas atrás das outras. E depois a pergunta seria mais, porque é que aderiram tanto em massa ao Facebook. Apesar da interdependência ser muito forte, existem no entanto mais pessoas ligadas ao Facebook que ao Farmville. Para além disso muitos outros jogavam, e jogam fora das redes sociais.


• De que forma as redes sociais se combinam com os jogos tornando ambos mais “populares” na web?

A combinação ocorre pelo lado da necessidade das redes sociais em manterem os seus visitantes "ocupados". Ou seja as redes sociais não funcionam em proveito dos jogos, estes já tinham muito sucesso antes, há vários anos que se encontram no top de pesquisas na internet. Como tal estão a invadir cada vez mais, diferentes áreas dos media, não só as redes sociais, como a publicidade online e todos os outros modelos que necessitam de chegar às massas na web.



• Os jogos sempre foram uma forma de lazer mas também de sociabilização (algo que se perdeu um pouco com os videojogos/consolas). As comunidades de jogos online fizeram-nos regressar à sociabilização através dos jogos, como acontecia com os jogos tradicionais?

Em parte sim. Essa fui uma batalha ganha pelas redes sociais, sem dúvida, estas fomentam tudo aquilo que tivemos num passado pré-industrialização, num passado de vivência e interdependência comunitárias. Mais as redes sociais do que os jogos, isto porque estas não requerem muito conhecimento prévio, são muito intuitivas e fáceis de aceder, ao passo que os jogos são nesse sentido um pouco mais elitistas.



• A legislação que regula este tipo de acções na web encontra-se ajustada ou como tantas outras ainda não se encontra adaptada à nova realidade digital?

Não, e vai demorar até poder ajustar-se, isto porque a própria realidade destas redes ainda não estabilizou, o modelo que conhecemos actualmente é um modelo em transição, esperam-nos muitos mais desenvolvimentos no que toca ao desenvolvimento, inovação e avanços nas redes sociais, e também na forma como estas e toda a restante esfera web se vai deixar impregnar pela cultura dos jogos.



• Concorda que o Second Life morreu antes de se tornar uma oportunidade para os negócios que lá se encontram representados? Porquê?

De forma alguma. Os metaversos, como Second Life, estão aí para se manter e para fazerem parte de um dos próximos passos das redes sociais.



• O seu insucesso estará relacionado com as dificuldades na manutenção dos avatares e espaços virtuais? Ou na postura que as pessoas que entraram no Second Life tiveram?

Não lhe chamaria insucesso, o que se passa, é que os media criaram um hype enorme à volta do fenómeno que levou a que as expectativas fossem elevadíssimas. Contudo não é um fracasso, o Second Life fez mais pelos ambientes virtuais do que qualquer outra tecnologia no que toca à sua disseminação e mesmo ao seu uso efectivo pelas massas.



• O Second Life terá sido criado antes do tempo?

Também não. O Second Life, aparece depois de muitas outras experiências, aparece depois de todo o boom dos anos 90 à volta da Realidade Virtual. O que se passa é que nem todos estão ainda preparados para uma experiência desse tipo, e a tecnologia terá de encontrar formas de tornar essa experiência ainda mais "próxima" das pessoas. Ou seja o que falta agora é criar um modelo de comunicação que permita tornar mais fácil o acesso e o entendimento sobre os metaversos como o Second Life.



• De que forma a web passará num futuro próximo pela virtualização e por outros Second Life?

Pelo cruzamento, entre redes sociais, metaversos e jogos e do seu embebimento em quase todas as tecnologias que promovam o acesso à web. O futuro da comunicação humana está sentado em cima destes três pilares. Muito pouco conhecimento é hoje produzido no mundo sem passar pelo online, e à medida que estes três modelos se forem embebendo nas tecnologias presentes na web, tornar-se-ão eles próprios canais privilegiados de discussão de todos os assuntos entre todos os tipos de comunidades, da científica à politica, passando pela religiosa entre outras.
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