domingo, julho 31, 2011

Melancolias de Biutiful e Submarino

Tenho vontade de dizer que estes dois filmes que deixo aqui abrem as portas da realidade, complexa e dura, como só a realidade sabe ser. Nos dias de hoje as imagens enchem-nos de ideias e de sonhos e raramente nos é mostrada a complexidade, a dureza, a inevitabilidade. Talvez porque já tenhamos dramas que cheguem na nossa vida no dia-a-dia e a última coisa que queremos é experienciar os dramas dos outros. Por outro lado viver num mundo ficcional cor de rosa não nos prepara, nem nos ajuda em nada a enfrentar o dia-a-dia que a vida nos reserva. Dolorosa, difícil, e melancólica é assim, e para isso temos de estar preparados, conhecer de antemão os possíveis cenários que nos esperam, pode ser duro, mas é preciso.



Biutiful (2010) é o último filme Alejandro González Iñárritu, Submarino (2010) é o último filme de Thomas Vinterberg. São dois autores que nos têm habituado a enfrentar a realidade de frente, mas julgo que ambos foram aqui mais longe do que antes.



São várias as semelhanças que podemos encontrar entre as duas obras. Ambos os realizadores provêm de países não anglo-saxónicos (México e Dinamarca), mas com o sucesso alcançado, ambos tiveram oportunidade de realizar nos EUA e em inglês. Apesar disso estas duas obras funcionam como um regresso às origens, são ambas apresentadas nas línguas de origem o Espanhol (embora a ação se passe em Espanha e não no México) e o Dinamarquês. A fotografia é fortemente saturada e granulada em ambos os filmes, conferindo traços de sujidade e ruído, que atira para níveis de maior realismo. Ainda no campo da fotografia é muitíssimo interessante aferir como a tonalidade de Vinterberg assume o padrão frio, típico do norte da Europa, com muitos brancos e cinzentos, enquanto Iñárritu se cola aos tons quentes dos vermelhos, laranjas e castanhos, típico do sul da Europa.



Em termos de história o tema central decorre em ambos os filmes das premissas da Morte, Álcool e Droga. Em ambos os filmes temos dois irmãos à deriva na sociedade, e a esperança, que são os filhos, parece totalmente comprometida. Os filmes funcionam como metáforas de uma sociedade em que os problemas giram num ciclo fechado do qual sair parece uma impossibilidade.






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