segunda-feira, setembro 12, 2011

a ordem social através de uma Animação

El Empleo é uma curta de animação de Santiago Grasso, formado em Comunicação Visual pela Facultad de Bellas Artes de la Universidad Nacional de La Plata, Argentina. Saiu em 2008, mas só agora nos chega via YouTube depois de ter percorrido um longuíssimo caminho de festivais com uma extensa lista de prémios,
"El Empleo lleva recibidos hasta el momento 93 galardones, y ha participado en 170 festivales y muestras de todo el mundo, siendo hasta la fecha el cortometraje Argentino más premiado del cual haya registro!" [1]

El Empleo, é um belíssimo trabalho de animação e ilustração em aguarela que deve ser visto em HD. Em termos de criação deixo o resumo do press release,
"The production of ‘El Empleo’ took almost two years to be accomplished, being an independent film financed by the authors and with a small bursary from the Fondo Nacional de las Artes (National Fund of the Arts). The production took place between Buenos Aires, Argentina and San Carlos de Bariloche, Patagonia Argentina. The film was done with classic hand drawn 2D animation, taking more than 8600 drawings for the entire animation, and the backgrounds where done in watercolors. Some few elements were created in CGI, but subtly integrated with the 2D ambience. The entire graphic material was then digitalized and composed."
Apesar da qualidade do trabalho gráfico a maior força deste filme está concentrada na ideia, que é de Patricio Plaza e na conceção visual criada por Santiago Grasso. A sua mensagem dificilmente deixa alguém indiferente e toca profundamente todos aqueles que não conseguiram encontrar um trabalho capaz de satisfazer as suas motivações intrínsecas. Pode dizer-se que é dedicado a todos os que sentem o peso diário de acordar e seguir para mais um dia fastidioso no Emprego.


O filme aponta uma crítica fortemente negativa ao modelo social do capitalismo, seguindo claramente, uma conceção marxista da ordem social. Apesar de toda a surrealidade vivida no filme, as pessoas parecem lidar com as aberrações com grande naturalidade, como se fosse perfeitamente normal. E isto é o que nos diz Marx quando define a ideologia como uma realidade de ilusão, capaz de criar uma falsa consciência geral nas pessoas. Dessa consciência emanam acções de reconhecimento mútuo que servem para a estabilização e manutenção da ordem social.
"Ideology itself represents the "production of ideas, of conceptions, of consciousness," all that "men say, imagine, conceive," and include such things as "politics, laws, morality, religion, metaphysics, etc.". Ideology functions as the superstructure of a civilization: the conventions and culture that make up the dominant ideas of a society. The "ruling ideas" of a given epoch are, however, those of the ruling class: "The ruling ideas are nothing more than the ideal expression of the dominant material relationships, the dominant material relationships grasped as ideas; hence of the relationships which make the one class the ruling one, therefore, the ideas of their dominance". [2] 

Marx apresenta assim o conceito de ideologia como algo não neutro, que se sobrepõe ao pensar diário de cada um de nós sem que sequer ganhemos consciência dela. A ideologia é aqui apresentada como um produto criado a partir das instituições vigentes na sociedade tais como a religião, a política, a educação, os sindicatos, os media, as artes [3]. Toda a produção de ideias, de valores culturais trabalhariam para a afirmação da ideologia, criando assim a ilusão do reconhecimento e aceitação do coletivo. Para uma melhor perceção do conceito de ideologia e da sua evolução conceptual aconselho a leitura do texto introdutório de Vitor Oliveira.





Ver os créditos finais até ao fim!

[1] http://opusbou.blogspot.com/2010/10/el-empleo-en-el-festival-iberoamericano.html
[2] Marx, Ideology, http://www.cla.purdue.edu/english/theory/marxism/modules/marxideology.html 
[3] Althusser, Ideology and Ideological State Apparatuses, http://www.marxists.org/reference/archive/althusser/1970/ideology.htm
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