quinta-feira, março 03, 2011

Entrevista de JP Gee: o ensino e os videojogos

James Paul Gee é um dos mais reconhecidos autores na investigação dos videojogos, seus processos de aprendizagem, e impactos para o ensino. Está longe de ser o tipico professor universitário defensor do campo, uma vez que já tem mais de 50 anos. O seu amor aos videojogos apareceu quando começou a presenciar o seu neto de 6 anos a jogar, e começou a tentar acompanhá-lo, percebendo a quantidade de informação e raciocínios que estavam em causam para se conseguir jogar um jogo de modo efectivo. O seu livro What Video Games Have to Teach Us About Learning and Literacy (2003) é uma referência internacional na área, e dezenas de publicações suas podem ser descarregadas directamente do seu site.
Nesta entrevista podemos ver Gee em discurso director falar sobre as suas crenças no uso dos métodos e design dos videojogos para re-criar os modelos de ensino. Não muito distante de Ken Robinson, vem colocar o dedo sobre os problemas da educação actual no que toca à sua incapacidade para gerar espíritos empreendedores e inovadores. Fala-nos sobre as capacidades motivacionais e de formação clara potenciáveis pelos videojogos. No final deixa ainda um alerta relativo aos novos públicos, que serão cada vez mais exigentes, porque têm à sua disposição online, informação capaz de transformar um autodidacta num expert.


"Se queremos ensinar a inovar, temos de mudar os testes, temos de mudar o modo como fazemos avaliação no ensino. O nosso ensino actual baseia-se no facto de que qualquer conteúdo é ensinado ao longo de 12 semanas, e no final fazemos um exame para avaliar se a pessoa aprendeu tudo o que foi ensinado."

"Agora pensem, porque não testamos uma pessoa que jogou Halo e chegou ao final para saber se esta sabe jogar, mas testamos alguém que andou 12 semanas a aprender Álgebra?"

"A resposta é que no caso de Halo não é preciso, porque assumimos que se se conseguiu chegar ao final do jogo é porque aprendeu, de outro modo não teria conseguido lá chegar. Assim o que estamos a dizer é que acreditamos mais no design e aprendizagem de Halo do que no design e aprendizagem da cadeira de álgebra!"
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