sexta-feira, agosto 21, 2009

cinema sem chama

Ontem vi dois filmes que me deixaram de certo modo frustrado, ambos com temáticas fortes, ficaram-se por aí, mesmo tendo no seu elenco nomes interessantes e equipas técnicas de relevo. Nothing but the Truth (2008) de Rob Lurie com Kate Beckinsale, Mat Dillon; e Crossing Over (2009) de Wayne Kramer com Harrison Ford, Ray Liotta, Ashley Judd.

Nothing but the Thruth (2008)

No primeiro discute-se o princípio sagrado do jornalismo, a não revelação da fonte até às últimas consequências, já no segundo toca-se no âmago da ilegalidade da emigração para os EUA. Ambos se apresentam com a pretensão de desflorar os personagens na sua essência cognitiva e emotiva e é por essa mesma razão que ambos falham. Não basta tencionar mostrar o interior psíquico de um personagem é preciso saber e consegui-lo. Porque a opção era boa, com um tema forte e um abordagem interessante, ficou a faltar a mestria para guiar o enredo, dirigir os actores e caracterizar a atmosfera.

Crossing Over (2009)

Em Nothing But The Truth raramente conseguimos a profundidade de um ideal, capaz de levar ao aprisionamento de alguém por mais de um ano. O filme concentra-se na face externa dos efeitos esquecendo-se de plasmar o interior do personagem na tela.Em Crossing Over o recurso à técnica dos múltiplos personagens com múltiplos enredos, à lá Magnolia (1999) ou Crash (2004) fica-se por isso mesmo, pela técnica. Muito longe dos exemplos dados, não consegue atar as pontas dos enredos e menos ainda consegue dimensionar os personagens à altura do entrosamento necessário numa narrativa desta complexidade.
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