sábado, maio 28, 2016

Animação de nostalgia

Player Two” (2016) é uma animação criada por Zachary Antell como trabalho de fim de curso na Universidade de Syracuse, EUA, que se destaca pela abordagem nostálgico-emocional e ainda pelo bom trabalho de rotoscopia. A demonstrar que com apenas 21 anos é possível criar obras conceptuais e profundamente empáticas.




A ideia de partida é bem definida pelo título, o jogador dois, que serve de metáfora para irmão mais novo, que tudo aprendeu imitando o irmão mais velho, o jogador um. O filme trabalha a relação dos irmãos através dos videojogos, demonstrando como as relações se constroem, intensificam, até que a natural evolução familiar as conduz à quase extinção. Quase, porque restam sempre as experiências vividas, os momentos marcantes nunca alguma vez olvidáveis, as quais as emoções nostálgicas se encarregam de nos relembrar amiúde. Não sendo uma obra que busque o aprofundamento do significado social, é capaz de tocar todos os que passaram por este tipo de experiência.
“I chose the subject matter of video games after a small debate with my parents where I realized they never truly understood how video games affected my life; my introduction to music, to animation, and eventually filmmaking. I wanted to convey the sense of imagination and scope old single player games like Ocarina of Time surrounded children.” Zachary Antell in Short of the Week
No campo da animação, a rotoscopia desenvolvida com base em vídeo e depois trabalhada com texturas de papel e desenho semi-infantilizado contribui intensamente para a produção do sentimento de nostalgia, de memórias difusas, experiências do passado de que nos vamos relembrando indefinididamente, mas com sentimento. Não estamos perante um trabalho de demonstração técnica, mas antes de técnica focada na mensagem, da animação ao serviço da expressão. No caso de se interessarem pela produção de animação vale a pena ver o pequeno making of.

“Player Two” (2016) de Zachary Antell 
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