
Aqui ficam as minhas impressões em jeito de memória escrita do filme Doubt (2008) de John Patrick Shanley com Meryl Streep e Philip Seymour Hoffman. Tinha o filme em agenda há bastante tempo, acabei por o ver agora que passou no TVCine. Os actores são de grande relevo, o realizador tem como vantagem o facto de ter escrito e dirigido a peça homónima para teatro, e aqui ter feito a sua adaptação e realização. Tudo bons ingredientes, para além disso a crítica foi unânime, o público e os festivais também em considerar este um bom filme. Ou seja seria difícil não nos agradar.
Mas na verdade, posso dizer-vos que a primeira sensação com que fiquei foi de algum desagrado. Claramente que o que está aqui em causa é a dramatização de cada personagem e isso em Teatro funciona de forma muito mais saliente que no cinema. Mesmo que aqui tenhamos excelentes actores não só os dois principais Streep e Hoffman mas também a deliciosa interpretação de Viola Davis como mãe do pequeno rapaz negro, e ainda a deslumbrante transformação de Amy Adams.
A base do filme é usar o artifício da Dúvida para nos questionar sobre outras matérias. Julgo que o problema aqui está na forma como Shanley representa a dúvida que em meu parecer é demasiado superficial, sendo que opta por a enquadrar na forma como a trata na encenação e não tanto no tema em discussão. Tratando-se de religião, a dúvida deveria ser algo de mais elevado, espiritual. Mas claro, o problema é que estamos em 1964 e as questões então eram bem diferentes assim como o peso da religião na sociedade. Ter dúvidas, era visto como uma fraqueza e não como um virtude.

Shanley opta por encenar a dúvida e depois deixa-nos pendurados sob ela, não nos aliviando com uma resposta clara, em jeito de simulação e de experienciação dada a tomar ao espectador. É bom porque nos obriga a pensar, é mau porque nos deixa com um travo na garganta, queremos respostas. Mas na verdade, é essa a condição da dúvida, não ter resposta. E é por isso que Doubt segundo o bom principio Brechtiano se eleva e passa de uma resposta visceral de desgrado a uma resposta reflexiva de pleno agrado.
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Estive na semana passada no 
O que é a Literacia? De uma forma simplificada e dirigida ao primeiro nível de literacia que conhecemos a do texto, a literacia é tradicionalmente definida como um saber "ler e escrever". Para completar este binómio e em consonância com as reais expectativas de um letrado devemos acrescentar uma terceira dimensão a da "interpretação" sem a qual o saber ler “não funciona”. Assim e tendo em conta este triângulo de partida temos que a aplicação de Literacia a qualquer outra dimensão do saber terá de implicar sempre estas componentes, sem as quais não haverá um domínio da literacia desse campo. A proposta apresentada pela 

