sábado, maio 12, 2018

A Nossa Necessidade de Consolo é Insaciável (1955)

Stig Dagerman surge, com apenas 23 anos, em 1945 e escreve até 1949: 4 livros, uma coleção de contos, um livro de não ficção sobre o pós-guerra na Alemanha, cinco peças de teatro, centenas de poemas, e ainda vários ensaios e textos jornalístico. De um dia para o outro, cala-se. Vive na depressão e incapacidade de ultrapassar o bloqueio criativo até pôr fim à vida em 1954. O último texto que nos deixou — "Our Need for Consolation Is Insatiable" — dá conta desses anos, dos sentimentos que o percorriam. Agora, através da brilhante declamação por Stellan Skarsgård, podemos viajar pelas palavras de Dagerman, numa curta realizada por Dan Levy Dagerman (ver abaixo).


"Everything significant that I experience, all that fills my life with a sense of wonder—meeting with a lover, a caress on my skin, help in distress, eyes reflecting moonlight, sailing on the open sea, the joy a child inspires, a shiver in the face of beauty—all of this occurs beyond the bounds of time." 
[Tradução de Steven Hartman, texto completo]


O texto é muito impressivo, pura prosa poética arrancada do interior do sentir de Dagerman. Alguns dos momentos que mais me tocaram tiveram que ver com as constatações de Dagerman relativamente à quantificação daquilo que fazemos na vida, à constante necessidade de nos justificarmos perante os outros, do que se espera de nós, e da impossibilidade de fugir a esse peso. A liberdade parece assim impossível de atingir, daí a necessidade insaciável de consolo.

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