quarta-feira, setembro 11, 2013

electricidade e o mito Frankenstein

Enquanto via o filme Frankenweenie (2012) de Tim Burton, dei-me conta pela primeira vez que a única coisa que estava em jogo no processo de dar vida ao Frankenstein era a eletricidade. Daí que me tenha questionado sobre as razões para o sucesso de uma premissa tão simples. Depois acabei por tombar sobre um texto que discutia os tempos do surgimento da eletricidade. Foi aí que descobri que em 1803 Giovanni Aldini, sobrinho de Luigi Galvani (daí o termo "galvanismo"), terá aplicado electricidade sobre corpos de assassinos, gerando reações musculares, descrevendo-as assim, como momentos de “pré-resussuscitação”.

Ilustração dos experimentos de Aldini com cadávers. Nas notas de George Foster ficou registado que “the jaw began to quiver, the adjoining muscles were horribly contorted, and the left eye actually opened … The action even of those muscles furthest distant from the points of contact with the arc was so much increased as almost to give an appearance of re-animation … vitality might, perhaps, have been restored, if many circumstances had not rendered it impossible.” (citado in Mary Shelley: Her Life, Her Fiction, Her Monsters)

Neste contexto, uma história como Frankenstein faz todo o sentido surgir em 1818. E é muito interessante viajar a esses tempos e imaginar, o encanto e magia que a electricidade terá representado para os nossos antepassados, ao ponto de poderem começar a sonhar com a ressurreição. Ideia que acaba por ser muito mais central em Frankenweenie do que em Frankenstein.

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