domingo, novembro 30, 2008

Miyamoto e o processo criativo

"Normalmente, quando se faz o design de som para um videojogo, é considerado um trabalho de pós-produção. Isto quer dizer que, por exemplo, em relação ao som de um disparo, alguém desenha uma arma, depois mostra-a ao designer de som e diz-lhe para ele fazer o som dessa arma. Mas Miyamoto chegou ao pé de mim e disse-me: 'Para Metroid Prime quero que cries um som fantástico. Dá asas à tua imaginação e faz um som realmente incrível. Depois, vou dar esse som aos artistas e isso vai inspirar os artistas e os designers a inventarem armas diferentes.' E foi o que fiz. Portanto, quando ouvem as armas de Metroid Prime, são os resultados dos meus devaneios artísticos ao tentar criar algo espantoso"
Tommy Tallarico, in BGamer, Dezembro 2008, nº125

segunda-feira, novembro 17, 2008

Mckee e as narrativas

Robert Mckee esteve pela primeira vez em Portugal para dar um dos seus famosos seminários intitulados "Story". Um seminário de apenas três dias com valor de inscrição na ordem dos 550 euros, o que demonstra bem a apetência que o seminário tem. No site de McKee pode ver-se a estrutura do seminário. Para quem não pôde participar, aconselha-se vivamente o seu livro Story: Substance, Structure, Style and The Principles of Screenwriting.

McKee é considerado por muitos um dos maiores professores de escrita de histórias. Com um curriculo extenso e variado sempre na área da narrativização, vários prémios e dezenas de alunos com prémios e Óscares. As suas teorias são de extrema relevância no contexto do cinema de Hollywood sendo que é aí que o seu seminário mais se concentra. Contudo não se fica por aqui, McKee apresenta toda uma argumentação capaz de englobar e generalizar a estrutura dos modelos narrativos humanos onde o seu mote é sempre o desenvolvimento de emoção nos receptores das histórias. Para quem quer que pretenda estudar narrativas, histórias, ficção, argumento, guionismo McKee é uma referência de base à qual não se pode escapar. McKee pode ser mesmo considerado o Stanislavski ou Strasberg do argumento, capaz de apresentar o seu "método" de análise e criação narrativa de forma persuasiva e convincente.

Aproveito para transcrever algumas deixas da entrevista dada ao Público no dia 13.11.2008. De relevo é a sua análise dos filmes portugueses que viu, o modo como os define diz muito sobre os problemas da cinematografia portuguesa, incluindo dos monstros sagrados nacionais.

(..) viu há alguns anos dois filmes de Manoel de Oliveira e agora assistiu a Alice (2005), Call Girl (2007), Juventude em Marcha (2006) e Aquele Querido Mês de Agosto (2008) (..) encontrou desejo de aventura e esforço minimalista, mas... "não são muito hábeis". "Se se quer usar uma técnica minimal tem de haver a certeza de que há um conteúdo tremendo, como no Brokeback Mountain" (Lost in Translation, Leaving Las Vegas, About Schmidt) e só o encontrou em Alice (2005). (..)
McKee é incisivo e vai mais longe determinando o carácter e objectivo que uma história deve possuir, mesmo quando envereda pelo o lado minimal.
"Como argumentistas, temos uma obrigação para com o público. Pedimos-lhe um grande bocado da sua vida - três horas. É muito, posso jogar uma partida de golfe em três horas. Nesse convite há uma promessa de recompensa. Dar-lhe-ei algo que não tinha antes, fazê-lo pensar, chorar, rir. Vou enriquecer a sua humanidade."
McKee critica ainda a grande indústria à qual pertence, Hollywood.
"ele (o argumento) nao tem lugar em Hollywood, "tecnicamente soberbo, mas com um problema de conteúdo. Os filmes são mais uma versão de como o bom vence o mau, efeitos especiais ou comédias mal-educadas (que são divertidas). Não é Beckett." (..) o problema é que as ideias, o rasgo criativo, o espírito politico estão na Europa (..) mas os europeus não dominam a forma, a noção de base que "está lá para nos levar em profundidade". Já "Hollywood sabe como contar uma história"... mesmo que seja má.

McKee postula que a única maneira de um escritor "se libertar é dominar a forma". Até lá vai sempre copiar alguém. A noção de forma, bem como a de "escrever sobre a vida" e a verdade, são basilares nos seminários e livros de McKee. " Viajo pelo mundo, as culturas mudam, as línguas mudam, o que não muda é a vida. E a vida é lixada. E o mais difícil é tirar sentido da vida de forma bela numa história.

sexta-feira, novembro 14, 2008

livros da Springer

Novas publicações da Springer do último mês.

Interactive Media: The Semiotics of Embodied Interaction
O'Neill, Shaleph
978-1-84800-035-3

Motion in Games
Editor/s: Egges, Arjan ; Kamphuis, Arno ; Overmars, Mark
978-3-540-89220-5

Entertainment Computing - ICEC 2008
Editor/s: Stevens, Scott M. ; Saldamarco, Shirley J.
978-3-540-89222-9

Intelligent Environments
Editor/s: Monekosso, Dorothy; Remagnino, Paolo; Kuno, Yoshinori
978-1-84800-345-3

quinta-feira, novembro 13, 2008

a projecção interior

A completa ilusão do real, onde tudo acontece, e onde e apenas tudo se realiza para nós enquanto seres capazes de projectar mentalmente o suposto "real".

Sem qualquer dúvida que se trata do filme publicitário que mais perto chegou do propósito deste meu blog no sentido em que retrata todo um processo cognitivo de funcionamento da representação do mundo. Recoloco aqui a imagem que acompanhou o meu perfil de blogger nos idos anos de 2003 e que utilizei também num pequeno post nesse ano.

Vejam o pequeno 30 segundos e deliciem-se.