segunda-feira, setembro 09, 2013

somos feitos de histórias

Aproveito para deixar aqui algumas notas sobre duas interessantíssimas TED Talks sobre as histórias, e o cinema que conta histórias. Tudo fica dito pelas palavras do título da comunicação de Shekhar Kapur, "Nós somos as histórias que contamos…", reafirmado por Beeban Kidron, "há indícios de que o ser humano de todas as idades e de todas as culturas cria a sua identidade em alguma forma narrativa."


O que fica aqui explícito é que o mais importante para o ser humano são as histórias, e não o meio. Não interessa se acedem aos mundos das histórias através da literatura, do cinema ou dos videojogos, interessa apenas que lhe acedam. Que sintam as "contradições" que nos apresentam, e sigam em busca das "harmonias do mundo", para utilizar as palavras de Shekhar Kapur.

Porque o poder da narrativa, das histórias que nos contam, está na sua capacidade para instigar o questionamento. Como vai dizendo Beeban Kidron, mentora do projecto FILMCLUB em Inglaterra que levou o cinema às escolas, obtendo resultados estrondosos, com as crianças a elevarem a sua auto-estima, a sua motivação para ir a escola, e principalmente aguçar a sua curiosidade.
"Quem estava certo, quem estava errado? O que fariam sob as mesmas condições? A história foi bem contada? Havia uma mensagem escondida? Como é que o mundo mudou? Como poderia ser diferente? Um tsunami de perguntas sairam da boca de crianças que o mundo pensava não estarem interessadas. As próprias não sabiam que se importavam. Conforme escreviam e debatiam, em vez de verem os filmes como artefactos começaram a ver-se a si próprias." Kidron
Kidron fala sobre algo com que nos debatemos desde os anos 50 do século passado, o valor do cinema face à literatura. Algo que os videojogos só agora começaram a trilhar.
"Se honramos a leitura, porque não honrar visualizar com a mesma paixão? Considerem "O Mundo a Seus Pés" tão valioso quanto Jane Austen. Concordem que "A Malta do Bairro", assim como Tennyson, oferece uma paisagem emocional e uma compreensão enriquecida que se complementam. São ambos um objecto de arte memorável, ambos, um tijolo na construção de quem somos." Kidron
Porque a essência é a história, é esta que activa a nossa mente, desencadeia o processamento mental, e nos ajuda a descobrir-nos a nós mesmos de cada vez que acedemos a uma nova história,
"Quando estas pessoas chegam a casa, após a visualização de "Janela Indiscreta" e olham com atenção para o prédio ao lado, têm as ferramentas necessárias para questionarem quem, para além deles, está ali e qual é a sua história." Kidron

Beeban Kidron, A Maravilha partilhada do Cinema (2012)
Enviar um comentário