terça-feira, julho 23, 2013

o racional sobre o emocional

Alguns filmes são demasiado bons para não falarmos deles, para não nos perdermos um pouco mais na interpretação do que se pôde ver, ouvir, e compreender. Tuesday After Christmas (2010) de Radu Muntean é um desses casos, sendo inevitável começar pelas palavras do próprio realizador,

“What happens with these kinds of movies is that everyone interprets them in relation to his own life, his own sensitivity… I was trying to maintain a certain equilibrium between the characters and avoid clichés that would simplify the situation.” Radu Muntean 
Duas afirmações que se espelham na perfeição nesta obra. A obra toca sentimentos tão íntimos que se torna impossível a cada espectador, não criar um juízo próprio sobre o que presencia na tela. Mais porque Muntean cumpre o segundo ponto, o de evitar por completo os clichés das relações amorosas e do fim das mesmas.

Podemos dizer que isto é pura literatura cinematográfica. Ver este filme é atravessar um momento vicário do mais puro que se pode sentir frente a um filme. Principalmente para quem vive uma relação a dois, estruturada, estabilizada, com casa, carros, filhos... Ver Tuesday After Christmas inevitavelmente nos cola à nossa vida, e nos questiona de forma lancinante: "E se fosse eu... e se fosse comigo...?" "O que faria...?" "Como reagiria...?"

O filme abre uma hipótese de resposta. O brilhantismo dessa resposta está no quão pouco expectável ela é, e ao mesmo tempo tão civilizada, tão moderna, tão racionalizada. E é isso que coloca o filme num tão elevado patamar artístico. Porque é algo que ainda não tinha sido explorado desta forma. A solução e conclusão, é algo que mexe connosco porque a nossa racionalidade segue o filme, acompanha e compreende, mas é a nossa emocionalidade que se choca, e luta.


Radu Muntean homenageia assim mais uma vez a qualidade do cinema romeno, que vem sendo reconhecido ao longo dos últimos 10 anos de uma forma estrondosa, com prémios da crítica, mas também uma boa aceitação do público. É um despertar da cultura de um país que viveu aprisionado demasiados tempo. Deixo uma síntese de Zeitchik para o LA Times, com a qual concordo plenamente,
"a remarkable, pitch-perfect work, as convincing and affecting a portrayal of the subtleties of modern life and marriage as you'll find on the screen… if cinematic genius is taking a story we think we've seen before and telling it an entirely fresh way, Muntean is ready for Mensa…It's simply absorbing, authentic storytelling…
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