segunda-feira, janeiro 07, 2013

Animação: "The Sinking of the Lusitania" (1918)

The Sinking of the Lusitania (1918) é uma animação de carácter propagandístico de Winsor McCay. McCay pertence à história da animação pelo trabalho pioneiro que realizou com Gertie the Dinosaur (1914) (ver filme) e pela tira de banda desenhada Little Nemo in Slumberland (ver a primeira tira de 1905) que desenhou entre 1905 e 1927 para alguns jornais de Nova Iorque.

Pintura que retrata o ataque ao Lusitania (Autor desconhecido, Fonte)

The Sinking of the Lusitania (1918) é um filme de animação curto, que faz uso de cerca de 25 mil desenhos integralmente criados por McCay, entrecortados com títulos que vão dando informações sobre o que sucedeu em 1915. Nesse ano Lusitania era um dos maiores navios até então construídos e preparava-se para viajar dos EUA para Inglaterra. A zona marítima em redor de Inglaterra tinha sido declarada zona de guerra pela Alemanha, que patrulhava a zona com os seus submarinos U-boats artilhados com torpedos. A Embaixada alemã nos EUA fez questão de publicar panfletos nos jornais, e os passageiros do Lusitania receberam panfletos quanto aos riscos que corriam antes de embarcarem em Nova Iorque a 1 de Maio 1915. A 7 de Maio 1915 e sem qualquer aviso prévio o Lusitania foi abatido com torpedos, tendo afundado em menos de 20 minutos. Este acontecimento brutal acabaria por atirar os EUA para a primeira Grande Guerra Mundial.

A propaganda Britânica iria utilizar extensivamente o evento para incendiar a população contra a Alemanha. Desde rumores sobre existirem escolas na Alemanha que comemoravam o dia do afundamento do Lusitania, até medalhas que foram imprimidas, dizendo-se serem cópias de medalhas comemorativas alemãs sobre o abate do Lusitania, várias foram as acções tomadas para mover a população, para a incentivar a entrar no espírito da guerra.

Pelo lado da propaganda americana surgiria este filme de Winsor McCay. Sendo um filme de 1915, não é um filme brilhante, tanto na animação como na linguagem fílmica. Estávamos ainda na infância do cinema, e o cinema de animação que se fazia não passava de pequenos experimentos. Ainda assim o filme McCay fazendo uso de uma linguagem documental muito comum na época, juntamente com a música que terá sido tocada em sala aquando da projeção, serve completamente os objetivos. A animação serviu não apenas como expiação mas também como forma de dar compreender algo que era apenas uma ideia abstracta e distante para muitos.

É forçoso sentir-se tocado pelo que vemos. Tendo visto o filme agora pela primeira vez, foi inevitável para mim correlacionar o ataque ao Lusitania, com o ataque às Torres Gémeas, a 11 de Setembro de 2001. Porque o que vemos aqui não é um acidente como aquele que aconteceu com o Titanic. O que vemos aqui são milhares de pessoas inocentes a saltar de um barco, tal como as pessoas que saltaram das Torres Gémeas, não por um qualquer acidente, mas porque outras pessoas treinadas para os matar a isso os obrigaram. É um trabalho claramente de propaganda, que não só procura tornar visual uma ideia do que terá acontecido no mar, mas mais do que isso procura estimular nas pessoas o medo, e por outro lado o ódio para com quem perpetrou tão abominável feito. Neste sentido é um filme poderoso.


O filme está disponível no Internet Archive como cópia de domínio público, a que acedi através do Luís Frias. Mas aproveito para deixar aqui uma versão do YouTube, entretanto tratada pela National Geographic e com um pouco mais de qualidade.
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