quarta-feira, junho 27, 2012

Ubisoft, transmedia e cinema

Já não é novo mas não deixa de nos impressionar, a criação de curtas no formato 20 minutos que introduzem o lançamento de um novo videojogo. Neste caso são 20 minutos de imagem real no mais puro formato de acção hollywoodesca que lançam o gancho narrativo para aquilo que o videojogo tem para nos dizer, criando o sentimento de expectativa e antecipação nos jogadores, e a com isso talvez a vontade de jogar nos não-jogadores.


Isto é um avanço nos modelos de produção em transmedia da narrativa atual. A história começa com uma curta metragem, prepara questões, lança-as, e depois as respostas só estão acessíveis através de outro media. Não é possível satisfazer a curiosidade narrativa apenas recorrendo ao media filme, muito bom.


Tom Clancy’s Ghost Recon Alpha (2012) é uma curta baseada na série de videojogos Tom Clancy’s Ghost Recon. A curta retrata uma prequela ao videojogo Ghost Recon Future Soldier que saiu em Maio passado. Existe quem apelide estes filmes de meros trailers de marketing, mas discordo. Como nos dizem os realizadores, François Alaux e Hervé de Crécy,
"We made the choice of a prequel for two reasons: to allow the film to remain independent from the game – which is a living material, and subject to many changes during production – and to give another level to the game storyline, by offering another view on one of the major events happening in it."

O filme tem uma produção do mais alto luxo, a Ubisoft não se furtou a custos e contratou o que de melhor havia. Começando pela dupla francesa, François Alaux e Hervé de Crécy que foram premiados há pouco tempo com o seu fantástico Logorama (2009) que há dias aqui discuti. Depois para produzir o filme foi buscar a Little Minx de Rhea Scott, empresa associada de Ridley Scott. Na montagem teve Pietro Scalia que tem um currículo impressionante, incluindo 2 Oscars. No argumento Tim Sexton de Children of Men (2006). Na cinematografia Trent Opaloch de District 9 (2009). No som Per Hallberg, outro currículo brutal e também com dois Oscars. No costume design Sammy Sheldon de V for Vendetta (2005) ou X-Men: First Class (2011).



Tenho lido todo o tipo de comentários, um dos quais deixou-me a pensar. Não poderá ser isto, de produzir filmes de grande produção, uma estratégia demasiado ambiciosa e arriscada para a Ubisoft? Os custos dos jogos que produzem são já bastante elevados, é claro que o retorno é grande, mas no dia em que não houver retorno em um dos seus produtos, a Ubisoft será capaz de sustentar o flop? Não estará a investir demasiado fora da sua indústria core? Para mim, quero acreditar que não. Quero acreditar que o dinheiro que investiram aqui foi bem investido. O dinheiro dos lucros deve ser aproveitado para criar mais produtos, para dar trabalho aos criativos, e não encher os bolsos a accionistas.

Enviar um comentário